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Cavaleiro do Oriente e do Ocidente
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Seactiel , Prece de Deus. O Arcanjo da Divina Serenidade.

Mais um dos Arcanjos da Igreja do Divino Salvador, em Sopó. Escolhi para ilustrar a tradução de um pequeno trecho do tratado de Giordano Bruno De Magia, um dos quatro textos escritos pelo filósofo hermético sobre o assunto, durante sua estadia em Praga, entre 1588 e 1590. A passagem me chamou a atenção por estar diretamente relacionada com o início do meu artigo anterior, e demonstra uma visão bastante avançada de Bruno a respeito da comunicação mágicka.

De Magia

Como aqueles Egípcios, magistas hoje formulam imagens, escrevem símbolos e cerimônias, os quais consistem de certas ações e cultos, e através dos quais eles expressam e fazem conhecer seus desejos com certos sinais. Esta é a linguagem dos deuses, a qual, diferentemente de todas as outras linguagens que mudam mil vezes todosos dias, permanece sempre a mesma, assim como as espécies naturais permanecem sempre as mesmas. (1)

Pelas mesmas razões, os espíritos falam a nós através de visões e sonhos, mas nós alegamos que estes são enigmas, por causa da nossa falta de familiaridade e ignorância e fracas capacidades, mesmo embora eles sejam os mesmos sons e as mesmas expressões usadas para coisas representáveis. Assim como os sons escapam do nosso entendimento, da mesma forma os sons do Latim, Grego e Italiano às vezes falham em serem ouvidos e entendidos pelos espíritos mais elevados e eternos, que diferem de nós por espécie. Assim, não é mais fácil para nós sermos capazes de comunicar com os espíritos do que é para uma águia comunicar com um humano. Assim, como pode haver conversação e concordância apenas por meio de gestos entre dois grupos de humanos que não partilham de uma linguagem comum, da mesma forma, pode haver comunicação entre nós e certos tipos de espíritos apenas pelo uso de certos signos, sinais, figuras, símbolos, gestos e outras cerimônias. O magista, especialmente quando usando o tipo de magia que é chamado "teurgia", pode dificilmente realizar qualquer coisa sem tais sons e símbolos. (2)

(1) Teorias psicológicas da Magia, baseadas na teoria de Jung, diriam que os símbolos, gestos e sinais contém uma mensagem universal e arquetípica, o que lhes conferiria mesmo o caráter de uma linguagem primordial. Alterações genéticas talvez causem mudança nos arquétipos humanos.

(2) Como indiquei no texto anterior, permanece desde sempre o fato de que os "espíritos" nunca foram capazes de comunicar um conhecimento inédito e verificável que lhes provasse a existência. Toda comunicação espiritual registrada na História nunca foi além do conteúdo da memória daqueles que recebem a mensagem. Entretanto, isto não descarta a hipótese de que os espíritos sejam formas energéticas que se organizam de forma inteiramente diversa da nossa, e que podem interagir com nossa percepção, influenciando nossa mente e nosso corpo.
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São poucas as coisas que eu sei. Eu sei, por exemplo, que se os espíritos existem, nunca provaram a sua existência da maneira mais simples, simplesmente nos dando informações que atestariam a objetividade de sua existência além de qualquer dúvida. Nada mais simples do que entregar uma mensagem gramaticalmente perfeita em uma língua que desconhecemos.

Mas sei, também, que a Magia nos coloca em contato com o Mistério. Existe muito mistério no Universo, e um desses mistérios é justamente como o Universo interaje conosco.

Sempre que viajo, símbolos e sinais começam a surgir, coincidências estranhas que indicam um caminho. Agora, aparecem Anjos e Arcanjos que me guiam, e vou seguindo docemente a senda.

Estava pesquisando sobre o Arcanjo Micael, quando encontrei a maravilhosa série de pinturas chamadas "Os Arcanjos de Sopó", cidade colombiana onde, na Igreja do Divino Salvador, se encontram as 11 pinturas monumentais de dez Arcanjos e do Anjo Guardião.

Foi justamente quando escolhi um deles, movido por uma intuição, que um homem entrou em meu escritório para me dizer que eu precisava, naquele momento, confirmar o meu percurso de vôo. Eu estava a semana inteira esperando magicamente que isto acontecesse.

O Arcanjo que eu havia escolhido é Baraquel, Benção do Senhor, o Arcanjo da Virtude. Eu havia escolhido a imagem pelo tom noturno e lunar, que associei com a Magick...

Invoque Sempre!!!

Post Scriptum: E acabei de receber um livro que havia se extraviado, com o tratado sobre Magia escrito por Giordano Bruno.

Keep Invoking!!!


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MAGIA CERIMONIAL



Em sua obra principal: Magick - Book Four, Aleister Crowley (1875-1947) propôs uma Definição para a Magia que, até hoje, espanta os leitores pela sua abrangência:

"Magia é a Ciência e a Arte de causar Mudança de acordo com a Vontade."

A proposição, ao querer dizer tudo, parece acabar por não dizer nada. Se tudo é Magia, qual foi o seu objetivo em preparar uma obra tão extensa sobre o assunto?

Avançando sobre o livro, vemos que o autor parece, sistematicamente, contradizer a sua própria afirmativa. Ou não? Após analisar a essência da experiência religiosa original, e propôr técnicas de Yoga como forma eficiente de se repetir este fenômeno, Crowley passa a descrever, capítulo por capítulo, toda a parafernália que nossa imaginação associa ao ofício do mago. Ele fala do Bastão, da Taça, da Espada, do Pantáculo e da Lâmpada. Ele explica Fórmulas e Palavras Mágicas e, por fim, narra as circunstâncias que levaram à recepção do Livro da Lei, uma experiência mágica de natureza clássica. Mas, apesar dessas contradições aparentes, Book Four afirma ter um propósito didático claro:

"Eu escrevi este livro para ajudar o Banqueiro, o Pugilista, o Biologista, o Poeta, o Marinheiro, o Merceeiro, a Garota da Fábrica, o Matemático, a Estenógrafa, o Jogador de Golfe, a Esposa, o Consul - e todos os outros - a se realizarem plenamente, cada um em sua função apropriada."

A Parte III do livro foi justamente escrita ao se constatar que a Parte II, pelo nível técnico do seu discurso, não cumprira adequadamente com este propósito. Por que não devemos nos enganar: o que temos aqui é um tratado profundo sobre a Magia Cerimonial, descrita em todos os seus detalhes.

Crowley parece ter criado, assim, duas confusões na cabeça do estudante: uma definição abrangente em demasia, que faz de todos nós magos e dos atos mais banais uma teurgia; e a impressão de que "Magia Cerimonial" é um termo redundante. E a questão fica ainda mais difícil quando nos atemos ao subtítulo da Parte II: Magia Cerimonial - O Treinamento para Meditação!!!


O Princípio de Abramelin


Para desatarmos o nó, precisamos avaliar o conjunto da obra em questão - Book 4 é o mais completo tratado de Magia Cerimonial já publicado - e o colocarmos adequadamente no contexto de tudo o que foi escrito por Aleister Crowley. A primeira evidência que nos salta aos olhos é a desproporção entre a Parte I, que trata dos princípios da Yoga, e as Partes II e III, que lidam com a Magia. Fica claro que o Yoga é visto apenas como um treinamento para o mago, mesmo que o título da Parte II pareça afirmar justamente o contrário. O mesmo método está presente na estruturação da A.: A.:, onde as técnicas de Pranayama e Asana devem ser dominadas muito antes do primeiro estágio crítico, a obtenção do Conhecimento e Conversação com o Santo Anjo Guardião, que é justamente o resultado esperado da mais importante prática da Magia Cerimonial. E não é a toa que Crowley repete, durante todo o livro, e também em quase todos os seus outros escritos, que este Conhecimento e Conversação com o Santo Anjo Guardião é, não apenas o objetivo fundamental, mas o único objetivo válido para o mago:

"O Ritual Supremo e Completo é a Realização do Conhecimento e Conversação com o Santo Anjo Guardião. É a elevação do homem completo em uma linha vertical reta.
Qualquer desvio desta linha tende a se tornar magia negra. Qualquer outra operação é magia negra."

Isto não seria conclusivo para nosso problema, entretanto, se Crowley não tivesse defendido com veêmencia a existência objetiva do Anjo. Se o Conhecimento e Conversação fossem uma experiência subjetiva, e o Anjo o equivalente simbólico do Self descrito por Carl Gustav Jung, Yoga e Magia Cerimonial seriam métodos equivalentes, a Magia Cerimonial inclusive perdendo em simplicidade e eficiência. No período imediatamente anterior à recepção e aceitação do Livro da Lei, é certo que Crowley, ainda em sua fase cética, propôs uma teoria psicológica para o contato com as entidades mágicas, publicada com a tradução da Goetia sob o título "A Interpretação Iniciática da Magia Cerimonial"; mas, nos seus últimos escritos, como o Magick Without Tears, após décadas de interação com a entidade prater-humana Aiwass - que ele aceitou como seu Anjo - sua posição já era radicalmente diferente:

"Os espíritos da Goetia são porções do cérebro humano. Seus selos portanto representam métodos de estimular ou regular estes pontos particulares (através do olho)."

A Interpretação Iniciática da Magia Cerimonial

"Agora lembre-se disto: é a garantia de salubridade em qualquer Invocação que haja contato com outro. É melhor conjurar o mais nocivo demônio do mais fétido poço do Inferno do que tomar as próprias excitações por benção Divina."

"Agora, por outro lado, existe um tipo inteiramente diferente de anjo; e aqui nós devemos ser especialmente cuidadosos ao lembrar que incluímos deuses e demônios, pois existem tais seres que não são de forma alguma dependentes de um um elemento particular para sua existência. Eles são microcosmos exatamente da mesma forma que os homens e mulheres são. Eles são indivíduos que reunem os elementos de suas composições como a possibilidade e a conveniência dita, exatamente como nós mesmo fazemos.
Eu tendo a elaborar este tema, por causa de uma questão pessoalmente importante que surgiu nas cartas recentes; pois eu creio que o Santo Anjo Guardião é um Ser desta ordem. Ele é algo mais do que um homem, possivelmente um ser que já passou pelo estágio da humanidade, e sua relação peculiarmente íntima com seu cliente é de amizade, de comunidade, de fraternidade, de Paternidade. Ele não é, deixe-me dizer com ênfase, uma mera abstração de nós mesmos; e é por isto que eu tenho insistido pesadamente que o termo "Eu Superior" implica em uma heresia maldita e uma ilusão perigosa."

Magick Without Tears

A Magia Cerimonial, portanto, na sua visão, é um método de contato com entidades praeter-humanas, e todo o longo treinamento yogi-mágico que propõe tem como único objetivo capacitar o ser humano para esta experiência.

Tendo definido a correta interação entre Yoga e Magia Cerimonial na obra de Crowley, restam ainda nossas duas dificuldades iniciais: a abrangência da definição de Magia e a aparente redundância do termo Magia Cerimonial. A dúvida se dissipa, entretanto, quando comparamos, mais uma vez, as Partes II e III do Book 4.

A Parte II, que foi considerada insatisfatória diante do objetivo didático proposto inicialmente, trata do aparato cerimonial básico: o Templo, o Círculo, o Altar e as Armas Mágicas. Entretanto, Crowley descreve todos esses elementos como sendo símbolos da estrutura do homem e do universo. Vontade, Razão, Entendimento, o Corpo - são definidos e têm seu estado ideal apresentado como a meta do treinamento. Ao percebemos isto, finalmente entendemos o objetivo didático descrito: realmente, tanto ao Cônsul quanto a Garota da Fábrica interessa conhecer e utilizar melhor as faculdades representadas pelos elementos da Magia Cerimonial, e a Magia Cerimonial é apresentada como um método eficaz para seu desenvolvimento, muito mais eficaz do que a pedagogia usual por que trabalha, através do uso do símbolo, com aspectos inconscientes do nosso psiquismo - e lidaria também com aspectos da realidade além dos conhecidos usualmente. Daqui deriva a abrangência da definição: tudo é Magia simplesmente por que a Magia estuda os princípios da formação da realidade e a constituição do ser humano, e esses princípios existem em toda e qualquer atividade.

A aparente redundância do termo Magia Cerimonial, também, fica agora resolvida. Crowley pensou que a Parte II fosse suficientemente clara, mas suas colaboradoras, Soror Virakam e depois Soror Agatha , lhe fizeram ver que a universalidade da sua explicação sobre os princípios que regem a interação do ser humano com a realidade permanecia obscura. É então que ele inicia a Parte III e elabora um dos seus textos mais importantes, contendo a Definição, Postulado e 28 Teoremas da Magia. Estes trinta ítens se baseiam no método científico e nos princípios contidos no Livro da Lei, e permitem a seguinte conclusão: a Magia pode ser uma atividade teórica que tentar definir a realidade e o ser humano, bem com sua interação mútua; a Magia Cerimonial, por sua vez, é uma das várias formas de se otimizar essa interação.


A Razão do Rito


Quando abordarmos o tema Magia Cerimonial, entretanto, a primeira dúvida que surge é sobre a real necessidade do ritual. A questão nasce da confusão entre Magia e Religião. Como ambas se referem a realidades supostamente imperceptíveis, surge com freqüencia a oposição entre prece e rito, que aumenta quando constatamos que partes importantes dos rituais mágicos são mesmo apelos endereçados a forças invisíveis.

A comunicação com inteligências e forças ocultas à nossa experiência cotidiana, portanto, é característica comum à Magia e a Religião. Onde se encontra a diferença? Pode ser irônico, mas esta está na falta de confiança que o magista tem em relação ao mundo invisível. Esta falta de confiança é pragmática e empírica: onde a mentalidade religiosa têm por obrigação acreditar na beneficiência daquilo a que dirige sua prece, e precisa explicar com malabarismos teológicos a ausência de uma resposta desejada, o raciocínio mágico lida com as dificuldades de comunicação e as limitações do ambiente e da formulação dos objetivos. Neste artigo vamos delinear, portanto, estes três itens que definem o assunto.

A Magia considera possível o contacto positivo com a realidade oculta, ponto em que a Religião concorda, mas de forma limitada. O pensamento religioso prevê a possibilidade da divindade se manifestar ao homem, mas trata-se de um processo unilateral dentro de um universo limitado. O magista se movimenta dentro de um universo muito mais rico e abrangente e próximo, povoado não apenas pela divindade distante, mas por um pleroma de intermediários que coabitam com objetivos e funções diversas. Por isso, é vital o treinamento da percepção, pelo qual ele se torna apto a perceber a nova realidade com que lida. O conceito de comunicação em Magia é mais complexo, abrange toda percepção possível, pois a percepção é uma comunicação da realidade exterior com a mente. Assim, para o magista o Universo está o tempo todo lhe comunicando algo, e sua falha em perceber informações importantes pode ser a fonte de descuidos ameaçadores. O mago que não desenvolve sua percepção do aspecto mágico do Universo tende a confiar excessivamente no uso das fórmulas e dos ritos. Assim: ele pode considerar que um banimento ou exorcismo é eficaz pela mera repetição das palavras e dos gestos. Muita gente considera um banimento bom só por que a pessoa gritou bastante e de maneira impressiva. Na verdade, o verdadeiro efeito mágico se realiza no plano invísivel pela movimentação de energia, e é por isso que o mago precisa estar apto a perceber o fenômeno, percebendo a real eficiência do seu esforço. O banimento ou o exorcismo podem ter evocado ou direcionado a energia de forma ineficiente sem que o praticante e os presentes tenham dado conta, quando seria necessário refazê-los.

Um aspecto astrológico natal considerado favorável ao magista é a conjunção de Mercúrio e Marte, justamente pela coesão que dá à percepção e direcionamento da energia. O mago que tem sua percepção adequadamente treinada precisa a seguir aprender a emitir e direcionar a energia com a qual completa o circuito de comunicação com o Universo. O seu relacionamento com a realidade invísivel é ativo, não depende inteiramente da intercessão dos seres que transitam por ela, mas também do seu poder próprio.

Armado com o duplo poder de perceber e emitir, o magista supera a dificuldade de comunicação e se torna apto a lidar com a limitação do ambiente. Esta também é dupla, pois se refere tanto à realidade ordinária quanto à invisível, separação de caráter didático que, aos poucos, o magista percebe ser artificial: ela simplesmente fala da inabilidade anterior de perceber todos os elementos como pertencentes á mesma e única realidade. Para o mago agora apto, os seres e energias invisíveis fazem tão parte do cotidiano quanto as ondas de rádio e TV, o espectro de luz infra-vermelho e os organismos unicelulares. Assim, ele perde a inocência religiosa perante o Universo, e se percebe lidando com as mesmas categorias de causa e efeito que regem os fenômenos ordinariamente perceptíveis, o que compõe a limitação do seu ambiente. O resultado de seus esforços é visto então como conseqüencia do uso da quantidade e qualidade das energias de que dispõe sobre o movimento do Universo, o que o coloca fora do reino fantasioso da Religião, onde tudo é possível a priori, e dentro da realidade científica regida pelas probabilidades. Assim, o mago pode ser eficiente em conseguir e direcionar a energia, mas se ele estiver trabalhando contra uma impossibilidade ou uma probabilidade muito pequena, vai falhar em obter o resultado desejado.

Na obtenção do resultado é que ele se defronta com a necessidade de uma correta formulação dos objetivos. A experiência prática e as modernas considerações sobre o fenômeno mágico indicam que existe um nexo linguístico de caráter inconsciente, pelo qual a energia é direcionada, o que significa que interpretações inesperadas do desejo formulado podem se manifestar, principalmente se a orientação original tiver sido feita de forma ambígua ou tendo pouca probabilidade de ser realizada. Este inconveniente é ignorado na prece religiosa, onde se confia na qualidade intrínseca da intervenção divina.

Adequadamente preparado para perceber e intervir na realidade, com a qual interage de uma forma mais abrangente, o mago organiza seus esforços, e é justamente isto que constitui a Magia Cerimonial. A cerimônia é uma ordenação lógica de atos, atos que lidam de maneira eficiente com as três dificuldades que descrevemos. O magista inicia com técnicas que visam garantir a qualidade da comunicação e a amenizar as limitações do ambiente. O Círculo têm esta função, impedindo as interferências indesejadas, com as quais não se deseja estabelecer uma troca de energia. A isto se soma o traçar dos Pentagramas ou dos Hexagramas, cuja eficiência depende em parte do poder pessoal daquele que traça, e em parte da resposta das forças que ele invoca para reforçar o seu efeito. Esta forma dupla de atuação pode também ocorrer na parte específica da cerimônia, onde se tenta movimentar energias adequadas para se obter resultados determinados, e a importância de cada modalidade varia de acordo com a técnica. Num trabalho de sigilização, por exemplo, a capacidade do magista é determinante. Na consagração de um pantáculo, importa mais a capacidade de se obter a resposta adequada da fonte de energia escolhida.

Sigilos e pantáculos são exemplos de técnicas que tentam estabelecer de forma eficiente e segura o direcionamento da energia na formulação do objetivo. Eles tentam definir de maneira inequívoca qual é o resultado esperado, evitando alternativas indesejadas do nexo lingüistico inconsciente.

Os mesmos cuidados são tomados nas cerimônias onde se pretende invocar uma Inteligência mágica, uma entidade que supostamente possui uma existência independente e anterior ao rito. Nesta técnica, a capacidade de percepção do mago se torna ainda mais importante pois, sem isto, ele é inepto a reconhecer e negociar com aquilo que responde ao seu chamado, mas sua habilidade de projetar e invocar energia também é vital, mais ou menos de acordo com o tipo de Espírito selecionado.

Resta apenas, para terminar esta exposição, esclarecer a contradição entre as inúmeras possibilidades apresentadas pela Magia Cerimonial e o rigor ético do princípio de Abramelin, pregado por Crowley. Para isto, nada melhor do que dar a palavra ao próprio mestre:

"O perigo da Magia Cerimonial - o perigo mais sutil e perigoso - é este: que o Mago irá naturalmente tender a invocar o ser parcial que mais fortemente apela a ele, de forma que seu excesso natural nessa direção será ainda mais exagerado. Que ele, antes de começar sua Obra, se esforce em mapear seu próprio ser, e arrume suas invocações de tal forma a retificar seu equilíbrio."

"Existe uma única definição principal do objetivo do ritual mágico. É a união do Microcosmo com o Macrocosmo. O Ritual Supremo e Completo é portanto a Invocação do Santo Anjo Guardião; ou, na linguagem do Misticismo, união com Deus.
Todos os outros rituais mágicos são casos particulares deste princípio geral, e a única desculpa para realizá-los é que às vezes ocorre que uma porção particular do Microcosmo é tão fraca que a sua imperfeição ou impureza iria poluir o Macrocosmo do qual é a imagem, eidolon, ou reflexão."

"E este Conhecimento e Conversação de seu Santo Anjo Guardião destrói todas as dúvidas e ilusões, confere todas as bençãos, ensina toda Verdade, e contém todos deleites."


Invoque sempre!!!
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Psicologia e Filosofia


"Há, com efeito, não apenas uma, mas numerosas
psicologias . Isto é curioso, porque, na realidade, há apenas uma
matemática, apenas uma geologia, apenas uma zoologia, apenas uma botânica,
etc, ao passo que existem tantas psicologias, que uma Universidade americana
é capaz de publicar anualmente um grosso volume intitulado: 'Psychologies of
1930', etc. Creio que há tantas psicologias quantas filosofias, porque não existe
apenas uma, mas numerosas filosofias.
Digo isto, porque entre a Filosofia e a Psicologia
reina uma conexão indissolúvel , conexão esta que se deve à
inter-relação de seus objetos; em resumo: o objeto da
Psicologia é a alma, e o objeto da Filosofia é o
mundo.Até recentemente, a Psicologia era um ramo da Filosofia,
mas agora se esboça uma ascensão da Psicologia, que, como predisse
Nietzsche, ameaça tragar a Filosofia. A semelhança interior das duas
disciplinas provém de que ambas consistem em uma formação sistemática
de opiniões a respeito de objetos que se subtraem aos passos de uma
experiência completa e, por isto, não podem
ser adequadamente apreendidos pela razão empírica. Por isso elas incitam a
razão especulativa a elaborar conceitos e opiniões, emtal variedade e
profusão, que, tanto na Filosofia como na Psicologia, seriam necessários
numerosos e grossos volumes para caber todas elas. Nenhuma dessas duas
disciplinas pode subsistir sem a outra, e uma fornece
invariavelmente à outra as premissas tácitas e muitas vezes
também inconscientes."

(JUNG, Carl Gustav Jung. "A Natureza da Psique", § 659)
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Sobre o autor

Humberto MaggiHumberto Maggi, brasileiro, é filósofo, escritor e ensaista. Reside atualmente em Angola, onde trabalha. Iniciado da Ordo Templi Orientis e Probationista da A.:A.:, é estudioso de várias facetas do Ocultismo, tais como Cabalá, Hermetismo, Gnosticismo, Astrologia, Goetia e Enochiano.

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