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Cavaleiro do Oriente e do Ocidente
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Livros de Magia

Estando envolvido em um novo texto, a pedido de uma editora britânica, acabei enveredando pelo tortuoso caminho das discussões antropológicas sobre Magia em geral, e os estudos históricos sobre a Magia Greco-Romana e Renascentista.

A primeira coisa que me chama a atenção é a dificuldade em se categorizar o que é Magia, e em se elaborar uma distinção desta com a Religião. Todas as tentativas dos antropólogos tropeçam no eurocentrismo, que herdou e desenvolveu Magia e Religião como categorias opostas que, porém, se mostraram inadequadas quando aplicadas à outras sociedades.

Até o momento, a minha impressão é que as tentativas antropológicas anteriores falharam por que, embora o monoteísmo radicalizado da teologia cristã medieval tenha espurgado várias práticas que definiu negativamente como Magia, a Magia seguiu sendo essencialmente religiosa, e sempre se baseando nos mesmos princípios filosóficos e religiosos adotados pela Igreja.

Isto fica bem claro quando lemos o grimório europeu mais antigo, o Livro Jurado de Honorius. Já mencionado no século XIII, o Livro Jurado de Honorius demonstra bem a difícil dialética entre Magia e Religião em uma sociedade repressora, que executa e tortura pessoas que pensam de maneira diferente. Na sua introdução, o autor do grimório, sem nenhum pudor acusa a alta hierarquia católica de perseguir os magos guiada por influência diabólica, revertendo o discurso acusador contra seu próprio criador. Um concílio de magos é realizado, e um Honorius de Tebas é escolhido para reunir em um livro a suma dos conhecimentos mágicos. Esta tarefa ele realiza com a ajuda do anjo Hocroel. O grimório traz todos os conhecimentos chaves da Magia européia, explicando detalhadamente o círculo mágico, as fumigações, a preparação do mago, as listas de anjos...

O Livro Jurado serviu de inspiração a vários sistemas mágicos posteriores. Sua influência é bastante visível no Heptameron e na Magia Enochiana de John Dee. Em todos esses, fica clara a principal característica da Magia européia, que se sustenta sobre os Livros e os Espíritos.

Recuando até o período Greco-Romano, com os papiros mágicos e o Testamento de Salomão, percebemos sempre esta constante: os magos estão sempre envolvidos na dialética espiritual, onde o contacto com deuses, anjos e daemons origina conhecimento escrito, e o conhecimento escrito ensina as regras para o contato com os seres invisíveis. Quando, no século XX, Aleister Crowley define a sua noção do Próximo Passo a ser dado pela Humanidade, é justamente o conhecimento e conversação com os seres mágicos o que ele assim define.

Mais uma vez, fica clara a dificuldade dos antropólogos em definir Magia e Religião separadamente. No que difere o Corão, ditado pelo anjo Gabriel a Maomé, do Livro Jurado, com os conhecimentos que o anjo Hocroel ensinou a Honorius? Em ambos os casos, trata-se de uma Revelação, com finalidades práticas.

O livro de Honorius também é fundamental por ser um tratado completo, no sentido que, ao mesmo tempo em que se dedica à atuação do mago no mundo, com o auxílio dos espíritos, também é um manual de teurgia que objetiva obter a Visão de Deus. Novamente, cria-se para as definições antropológicas uma dificuldade. Em que sentido a busca do mago pela Visão de Deus pode contrapor os conceitos de Magia e Religião?

As tentativas antropológicas de se definir os dois conceitos em oposição um ao outro remontam aos reformadores protestantes do séc. XVI, que definiram Magia como uma atividade e conhecimento apartados do pensamento religioso. Isto estava de acordo com a divisão existente então entre Magia Natural e Magia Cerimonial, onde Magia Natural tratava das correspondências e influências ocultas entra as coisas, que poderia ser considerada depois como Ciência, se a doutrina das correspondências e influências não tivesse repetidamente provado ser apenas imaginária. A Magia Cerimonial, codificada nos grimórios, necessariamente teve que ficar de fora dos novos paradigmas científicos, uma vez que seus efeitos não são verificáveis.

Atualmente, os desenvolvimentos da Neurociência tem fornecido uma nova base científica para as afirmativas da Magia Cerimonial. Sabemos que a percepção de uma “presença” espiritual ocorre mediante a estimulação de uma parte específica do cérebro, por exemplo. As técnicas e símbolos dos grimórios são eficientes para estimular estas partes do cérebro, e um novo ramo de pesquisa começa a se descortinar a partir destas constatações.

Como mago, praticante constante de cerimônias cujas raízes se perdem na pré-história, posso testemunhar sobre essa eficiência. Como cientista, sigo as palavras de ouro deixadas por Crowley e não tiro dos meus resultados mais do que eles realmente permitem. Assim, como muitos outros neste século XXI, tento seguir a estreita senda que faz da Magia não só uma Arte como uma Ciência. E, vendo como a figura menosprezada e perseguida do mago é hoje o herói dos filmes e dos romances, digo feliz: o futuro é nosso.

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Clavis Magicæ Ediciones apresenta o primeiro volume da sua coleção de textos tradicionais do esoterismo ocidental, Thesaurus Magicus.
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Edição especial em capa dura, 15 x 21 cm, 297 páginas.
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Preço: 71 reais
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Com introdução de Humberto Maggi, o primeiro volume
apresenta os seguintes grimórios:
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Testamento de Salomão
Pseudomonarchia Daemonum
Heptameron
Livro Jurado de Honorius
Grimorium Verum

http://www.clavismagica.blogspot.com/
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La Lechuza me hace soñar...

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Livros de Mistério

Meu avô predisse, com acerto, que eu estaria sempre cercado por livros.

Spharion talvez tenha sido meu primeiro contato com livros de mistério, quando era menino. O livro tinha ilustrações enigmáticas, como um Ouroboros que anos depois gravei em uma caixa de madeira e utilizei em meu texto Diálogos do Dragão, uma homenagem inspirada no The Doors.

Spharion conta as aventuras de um rapaz paranormal que enfrenta um alquimista misterioso.

Tenho estado muito envolvido com livros recentemente, desde que adquiri o Grimorium Verum de Jake Stratton-Kent e iniciei a coleção de grimórios intitulada Thesaurus Magicus, que deve em breve estar disponível.

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Sobre o autor

Humberto MaggiHumberto Maggi, brasileiro, é filósofo, escritor e ensaista. Reside atualmente em Angola, onde trabalha. Iniciado da Ordo Templi Orientis e Neófito da A.:A.:, é estudioso de várias facetas do Ocultismo, tais como Qabalah, Hermetismo, Gnosticismo, Astrologia, Goetia e Enochiano.

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